O que acontece quando pedimos a alguém para sorrir
Quando pedimos a alguém para sorrir, recebemos um movimento mecânico da boca. Os lábios sobem, os dentes aparecem, os olhos ficam parados. O Chandler Bing faz isto melhor do que ninguém. E toda a gente reconhece aquela expressão porque já a viu num perfil do LinkedIn.
O problema não é a pessoa. É a instrução. "Sorria" diz o que fazer com a boca, não o que sentir. O rosto sabe distinguir as duas coisas.
A expressão certa constrói-se na interacção
Surge depois de uma conversa que descontrai, de uma instrução que faz sentido, de um momento que provoca uma reacção genuína. O instante decisivo é quase sempre o segundo a seguir a uma gargalhada quando o rosto relaxa mas a alegria ainda está presente.
É esse o momento que espero. Não peço para sorrir. Crio as condições para que o sorriso apareça.
Perguntas frequentes
Porque é que "sorria" é uma má instrução numa sessão fotográfica?
Activa apenas os músculos da boca, não os dos olhos. O resultado é um sorriso social que o cérebro humano reconhece como forçado em frações de segundo. Para um sorriso genuíno aparecer é preciso sentir algo que o provoque, não executar um comando.
O que faz um fotógrafo para obter expressões naturais?
Cria um ambiente onde as expressões surgem sem esforço consciente. As melhores fotografias aparecem quando a pessoa parou de pensar em como está a ficar e começou apenas a estar presente.
É possível ter uma boa expressão mesmo não sendo fotogénico?
Sim. A fotogenia não é um dom, é o resultado de ter alguém que sabe criar as condições certas. Qualquer pessoa tem expressões genuínas e o trabalho do fotógrafo é encontrá-las.
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João Azevedo
Fotógrafo de retrato profissional em Coimbra desde 2010. Associado certificado da Headshot Crew (formação com Peter Hurley), com mais de 250 reviews de 5 estrelas no Google e orador TEDx Coimbra 2019.
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