João Azevedo Fotografia
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4 min de leituraMarço 2026

"Não gosto de ser fotografada" — porque é que nos estranhamos nas fotos

É uma das frases que mais ouço no estúdio. Quando tento perceber porquê, a resposta é quase sempre a mesma.

Retrato profissional em Coimbra — João Azevedo Fotografia

Porque é que não gostamos de ver fotos nossas?

O espelho mostra uma imagem invertida do rosto. A fotografia mostra a imagem correcta — a mesma que os outros vêem. Como passámos a vida a ver a versão invertida, a fotografia parece estranha, mesmo sendo mais fiel à realidade. É um efeito psicológico bem documentado, não um problema de aparência.

O problema começa no espelho

O rosto mais familiar que temos é o do espelho, mas o espelho mostra uma imagem invertida. O lado esquerdo aparece à direita, e vice-versa. Na fotografia, a imagem está correcta para os outros mas invertida em relação ao que estamos habituados a ver. O resultado é uma estranheza genuína: a pessoa na foto somos nós, mas não é a versão que conhecemos.

Este fenómeno tem explicação científica. O psicólogo Robert Zajonc demonstrou nos anos 60 que preferimos o que nos é familiar[1]. Quanto mais vezes vemos algo, mais gostamos disso. Como passamos a vida a ver o nosso reflexo invertido, é essa a versão que nos parece natural. A fotografia quebra esse hábito.

O que faço nas sessões para resolver isto

Mostro as fotos à medida que vamos tirando. Não no final, durante a sessão, no monitor. O olhar vai-se habituando à imagem real, à versão não invertida. Aos poucos, o "nem pareço eu" vai desaparecendo. Na segunda metade de quase todas as sessões, as pessoas começam a reconhecer-se e a gostar do que vêem.

Não é magia. É exposição repetida à imagem correcta num ambiente sem pressão.

Perguntas frequentes

Porque é que não gosto de ver fotos minhas?

Porque o rosto que conhecemos do espelho é invertido. A fotografia mostra a imagem correcta, que é a que os outros vêem, mas que nos parece estranha porque não é o que estamos habituados. Este efeito tem nome em psicologia: efeito de mera exposição, descrito por Robert Zajonc em 1968.

Isto melhora com o tempo ou é sempre assim?

Melhora com exposição. Quem faz sessões regulares de fotografia habitua-se progressivamente à própria imagem. Nas sessões, mostrar as fotos em tempo real acelera esse processo. O olhar adapta-se durante a própria sessão.

Uma sessão profissional ajuda a gostar mais das próprias fotos?

Sim, por duas razões. A primeira é técnica: luz, ângulo e enquadramento correctos produzem uma imagem mais fiel e favorável. A segunda é o processo: trabalhar a expressão com orientação, ver os resultados em tempo real e ter tempo para se habituar à imagem muda completamente a experiência.

Referências

  1. Zajonc, R.B. (1968). "Attitudinal effects of mere exposure"Journal of Personality and Social Psychology, 9(2, Pt.2), 1–27

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João Azevedo — Fotógrafo de Retrato Profissional

João Azevedo

Fotógrafo de retrato profissional em Coimbra desde 2010. Associado certificado da Headshot Crew (formação com Peter Hurley), com mais de 250 reviews de 5 estrelas no Google e orador TEDx Coimbra 2019.

Mais sobre o autor →

Pronto para mudar a relação com a própria imagem?

A maioria das pessoas sai da sessão a pensar "afinal não fico assim tão mal nas fotos". É uma experiência que vale a pena ter.