Mosteiro de Alcobaça - Fotografia de João Azevedo

Mosteiro de Alcobaça

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Mosteiro de Alcobaça

Nem sempre a clausura encerra quem nela se encontra. Creio ser esta a a impressão maior de quem visita a bonita composição arquitectónica que perfaz o Mosteiro de Alcobaça. À chegada, a observação do exterior é um convite à descoberta . O recorte do edifício desperta-nos pelo que contém de aparentemente díspar entre a magnificiência do bloco principal, torreado com uma rosácea central, e delineado pelas sinuosas linhas do estilo gótico – sendo, em rigor, o primeiro monumento nacional cuja composição nele se enquadra no seu todo – e a extrema simplicidade do prolongamento das extremidades do mesmo. Uma vez cativos do impulso primevo é impossível a fuga, e quando ganhamos consciência de nós, encontramo-nos já em plena escadaria rumo ao interior, sendo aí que o êxtase nos atinge e domina. No acesso aos claustros o pasmo ganha proporções grandiloquentes, a amplitude e perfeição geométrica das abódadas, o silêncio imenso, o verde ímpar do jardim furam-nos até ao âmago pelo que de libertador contêm. É igualmente desconcertante, e de referência obrigatória , o túmulo onde repousam os restos mortais dos protagonistas da maior história de Amor que em Portugal teve lugar, e não é sem alguma melancolia que nos deleitamos com a riqueza do pormenores da narrativa Pedro e Inês, incrustados nas esculturas que ornamentam a obra. É nesta peça em particular que termino a visita sempre que redescubro o Mosteiro, há nela a marca da alma lusa, a capacidade do sonho, do além cárcere, do que em nós não é terreno e nos restaura a alma além da fé.

Texto de Susana Berardo

 

 

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